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domingo, 30 de janeiro de 2011

A Barra do Rio Jequitinhonha Fechou

O rio Jequitinhonha localizado na região sul do Estado da Bahia, construiu um expressivo delta dominado por ondas associado à sua embocadura. Até a década de 60/70 o rio desaguava no mar através de uma única desembocadura. A partir da decada de oitenta do seculo passado a acumulação de areia na foz originou uma ilha que forçou a bifurcação do canal, de modo que o rio passou a ter duas desembocaduras. Em  dezembro passado o jornal "A Tarde" publicou uma pequena notícia com o título de "Foz do Jequitinhonha em Belmonte sofre processo de desertificação e prejudica pescadores" relatando que a barra sul havia fechado, prejudicando a saída dos pescadores locais para o mar.

Faz algum tempo que venho observando a evolução da foz do rio Jequitinhonha, principalmente no Google Earth e com os dados que disponho da minha dissertação de mestrado (1983). Abaixo algumas fotos ilustrando a evolução da foz do rio Jequitinhonha.

 Desembocadura do rio Jequitinhonha em 1960 (esquerda) e 2005 (direita). A linha vermelha é  a linha de costa de 1960. 

Observem as mudanças dramáticas no canal do rio, na foz e a norte da foz. A mudança do canal foi artificial. Na decada de 70 ou 80 a prefeitura de Belmonte, cortou artificialmente o canal atual, pois a cidade estava ameaçada pela erosão. Pelo visto funcionou. Talvez esta mudança no curso do rio tenha resultado no aparecimento da ilha na desembocadura, causando a bifurcação do canal. Acontece que deltas dominados por ondas, principalmente em regiões de elevada energia como a nossa, não apresentam distributários, pois é muito dificil o rio fazer frente ao mar, divivindo suas "forças".  O esperado portanto era que em algum momento uma das duas desembocaduras fechasse. Observem que em 2005, a barra sul já estava muito assoreada. O transporte de sedimento agora está direcionado para norte, onde  a linha de costa avançou até 1 km mar adentro.  O trecho a sul está experimentando um processo acelerado de erosão, que deve possivelmente se estender por vários anos.

 Desembocadura do rio Jequitinhonha em dezembro de 2010. A linha vermelha é  a linha de costa de 1960. 
Observem que a barra sul está fechada.

 Barra sul do rio Jequitinhonha fechada. Visada para norte. Compare com a foto anterior de dezembro de 2010.

Em ciências históricas como a geologia, o tempo é um componente muito importante. A passagem do tempo nos permite testemunhar as mudanças, como neste caso e adquirir "insights" que de outro modo seriam quase impossíveis.



sábado, 4 de setembro de 2010

Proteção da Linha de Costa no Espirito Santo

O Estado do Espirito Santo é, no Brasil, talvez aquele que mais intervenções sofreu em sua linha de costa compreendendo obras de proteção  e construção de portos. Dois recentes projetos de recuperação de praia estão sendo finalizados na costa do Espirito Santo. Estes projetos envolveram intervenções em larga escala para conter o processo de erosão costeira. Ambos os projetos incluiram uma combinação de estruturas rígidas e engordamento de praia. As estruturas rígidas apresentaram traçados inovadores para minimizar a intervenção com o transporte litorâneo. O custo das intervenções também foi bastante elevado, algo em torno de 40 milhões de reais em cada obra.

Conceição da Barra - está localizada na extremidade norte do delta do rio Doce na desembocadura do rio São Mateus, uma área portanto de risco para ocupação devido à grande variabilidade na posição da linha de costa. Este variabilidade dentre outros aspectos é resultado da dinâmica do delta de maré vazante associado à desembocadura do rio São Mateus.
 Localização de Conceição da Barra

Desembocadura do Rio São Mateus mostrando o Delta de Maré Vazante e o trecho experimentando erosão

Projeto de proteção da linha de costa elaborado pelo DHI (Dinamarca) consistindo de um enroncamento na foz do rio São Mateus e quatro "ferraduras" posicionadas a uma certa distância da linha de costa, com o espaço preenchido com areia (aterro hidráulico) de modo a formar uma praia ampla, o que oferece uma proteção adicional contra a erosão. O posicionamento destas estruturas a uma certa distância da linha de costa tem o efeito benéfico de não impedir o trânsito de banhistas ao longo da praia.

Foto aérea da obra em implantação com duas "ferraduras" implantadas e uma delas parcialmente preenchida com aterro hidráulico ((Fonte: SkyscraperCity).


Foto aérea da obra em implantação. Observem as 04 "ferraduras" implantadas com três delas já preenchidas com aterro hidraúlico (Foto: Zé Carlos - Mucuri)


Marataízes - está localizada a sul de Vitória proximo à divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Trata-se de uma região que experimentava "erosão severa, porém não está associada a uma embocadura fluvial.
Localização de Marataízes

Marataizes e o trecho em erosão.

Projeto proposto pelo DHI para recuperação da praia em Marataízes. Inclui também a construção de 04 "ferraduras"e 02 enroncamentos nas terminações do trecho. A figura acima apresenta uma simulação para o periodo do verão (esquerda) e inverno (direita). Observem que o formato em ferradura dos enrocamentos minimiza a perda de sedimentos para costa-afora e mantem a praia livre para o trânsito de pedestres. Do mesmo modo que em Marataízes foi utilizado aterro hidráulico para preencher o espaço entre as "ferraduras" e a linha de costa (Fonte: DHI).

Obra em execução - "ferradura" implantada e aterro hidráulico (Fonte: SkyscraperCity).

Obra em execução - aspecto da praia após o aterro hidráulico. Observar a praia larga e desimpedida que oferece ampla proteção para a linha de costa. Ao mesmo tempo as ferraduras podem no futuro vir a ser utilizadas para projetos paisagisticos e implantação de estruturas de apoio aos banhistas (Fonte: SkyscraperCity).

Embora eu não tenha me dedicado a estudar em detalhe o processo de erosão nestas duas localidades, minha suspeita é que (principalmente no caso de Conceição da Barra), a ocupação urbana avançou na faixa ativa de variabilidade do perfil praial. Se pelo menos uma faixa de recuo adequada tivesse sido adotada na época da ocupação, grande parte do dinheiro investido poderia ter sido economizada. O problema é que na época em que a ocupação começou, muito provavelmente a erosão costeira não era uma preocupação como agora.

sábado, 31 de julho de 2010

"Erosão Costeira" Também Pode Ser Causada pelo Homem


Erosão Costeira é um tema  muito popular e  sempre desperta a atenção da imprensa, principalmente na Região Nordeste do Brasil. Atualmente com a crescente preocupação de uma subida do nivel do mar decorrente do aquecimento global, qualquer erosão é imediatamente associada a este fenômeno. A presença de muros protegendo propriedades é normalmente utilizada como um critério da atuação do fenômeno. Poucos não se dão conta, entretanto que este raciocinio é em grande parte equivocado e que muitos destes muros e estruturas de proteção não foram construídos com o propósito de proteger uma propriedade ameaçada. Em realidade estas estruturas foram construídas diretamente em cima da faixa ativa de praia e com isto causaram uma "erosão" instantânea do prisma praial, no sentido continente-oceano, ou seja o contrário do que ocorre no fenômeno natural, quando o recuo do prisma praial se dá no sentido mar-continente.

Vejamos o caso da cidade do Salvador. Salvador tem uma topografia acidentada, caracterizada por declives acentuados próximos à linha de costa. A maior parte de suas praias são limitadas por promontórios rochosos.

A Avenida Oceânica, uma das principais de Salvador, bordeja quase que continuamente sua linha de costa.
Avenida Oceânica - Ondina. Fonte: Rubens Antônio

Em muitos trechos a Avenida Oceânica foi construída diretamente sobre a praia ativa causando causando "erosão" instantânea do prisma praial. Vejam abaixo:
Reconstrução do trecho onde hoje está incluido o Farol da Barra. Fonte: Rubens Antônio

Farol da Barra - hoje. Observe como a Avenida invadiu o prisma praial. Fonte: Rubens Antônio

Região do Porto da Barra antes da construção da Avenida Oceânica. Fonte: Rubens Antônio

Região do Porto da Barra - hoje. Fonte: Rubens Antônio

Se começarmos a reconstruir os padrões de ocupação em muitas das metrópoles brasileiras, veremos que a "erosão costeira" causada pelo homem, é muito mais comum do que imaginamos. Outro exemplo é  Recife, uma das capitais do Brasil mais afetadas pela erosão. Muitos dos casos de erosão reportados para Recife, se enquadram na categoria aqui descrita, como foi bem demonstrado pelo Projeto Mai  capitaneado pela UFPE. 

PS: levei um tempo consideravel fora do ar  escrevendo relatórios e trabalhos. Vou tentar tornar as postagens mais regulares daqui para frente


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Accretionary Wedge - Geo-Images

This year, the geoblogging carnival, The Accretionary Wedge,  will be held at Highly Allochthonous. The theme chosen is favorite geological images.

Here is the contribution of the "Geologia Marinha e Costeira" blog:
Beach-ridges - eastern Brazil. Each ridge shows a previous position of the shoreline
Miocene sediments onlaping the Precambrian basement. The Barreiras formation has widespread occurrence in eastern Brazil.
Recôncavo basin - tilted sedimentary rocks - these are cretaceous lacustrine sediments deposited in tectonic lakes formed in rift-valley basins during South America - Africa break up. Most of the oil presently extracted from the Brazilian continental margin was generated from organic matter deposited in these lakes.
Recôncavo basin - cretaceous synsedimentary deformation affecting lacustrine sediments.
Coastal erosion - shoreline retreat does not destroy recreational beaches. It just displaces them.
Dinosaur footprints - Mesozoic sediments - Maranhão - northern Brazil.
Ebb-tidal delta - eastern Brazil. Dark color results from the small river draining wetlands rich in humic acids.
São Francisco river sand bar - the image shows two episodes of deposition. The deposits of the older episode are partially covered with thin vegetation, but individual sand waves are still visible.
The São Francisco delta river mouth - a classical example of a wave-dominated delta
Sand waves in a small river bed
 Teredolites - ichnogenus of a trace fossil. Modern equivalent are the teredinid bivalves known as shipworms.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Erosão Costeira - Alagoas

Erosão costeira é uma preocupação muito atual nos programas de Gerenciamento Costeiro, tendo em vista as importantes implicações deste fenômeno para a ocupação da franja litorânea. Nesta postagem convidei o doutorando Adeylan Nascimento Santos, aluno do curso de Pós-Graduação em Geologia da UFBA, para falar uma pouco de seu trabalho, que dentre outros aspectos inclui o estudo da erosão costeira no Estado de Alagoas. O estudo de Adeylan fornece uma atualização de um trabalho anteriormente realizado por Araújo e colegas em 2006  (link para baixar o pdf).

"O litoral alagoano pode ser dividido do ponto de vista geológico-geomorfológico em três setores distintos (veja mapa abaixo):
Mapa geológico-geomorfológico do Estado de Alagoas, com indicação dos três setores discutidos abaixo e dos trechos de linha de costas em Equilíbrio, Erosão e Progradação (Autoria: Adeylan Nascimento Santos) (Clique para ampliar).

Setor 1 - da foz do rio Persinunga à Maceió, caracterizado pelo desenvolvimento incipiente da planície quaternária, apresenta trechos com falésias ativas na Formação Barreiras e nas rochas mesozóicas da Bacia Sergipe-Alagoas, além de inúmeros bancos de arenito e recifes de coral que formam uma ou mais linhas alongadas e descontínuas, paralelas ou adjacentes à linha de costa.
Setor 2 - de Maceió ao Pontal do Coruripe, caracterizado pelo pequeno desenvolvimento da planície quaternária, são encontradas ainda ocorrências de recifes de corais e bancos de arenito paralelos à linha de costa, e um trecho com cerca de 15 km de extensão composto por falésias ativas esculpidas na Formação Barreiras;
Setor 3 - do Pontal do Coruripe à foz do rio São Francisco, apresenta, de norte para sul, um alargamento da planície quaternária, com o desenvolvimento de extensos terraços marinhos holocênicos, recobertos, em parte, por um extenso campo de dunas costeiras".

Adeylan percorreu a pé todo o litoral do Estado de Alagoas entre 30/10 e 13/11/2006, perfazendo cerca de 240 km. Durante esta caminhada foram encontrados diversos trechos com evidências claras de erosão como por exemplo nas falésias costeiras da Ponta da Gamela e da Lagoa Azeda, assim como no litoral norte do Estado (Setor 1), um trecho teoricamente “protegido” por recifes de corais em franja e/ou bancos de arenito.

"A erosão costeira no Estado de Alagoas pode resultar de pelo menos quatro diferentes processos:

1) aumento na intensidade potencial da deriva efetiva, que favorece o aparecimento de um balanço negativo de sedimentos
2) presença de zonas de divergência no sentido do transporte litorâneo de sedimentos, que também favorece o aparecimento de um balanço negativo de sedimentos
3) topografia do fundo da plataforma continental e orientação da linha de costa, fatores fundamentais na distribuição da energia das ondas ao longo da costa e
4) ocupação inadequada da linha de costa avançando sobre o prisma praial"


As fotos abaixo exemplificam alguns destes problemas:

Estruturas de proteção costeira construídas de modo desorganizado na localidade de Barra Grande, litoral norte do Estado de Alagoas (para localização veja mapa).
Destruição de rua à beira-mar em Barra de Santo Antônio. Segundo os moradores, o mar teria avançado e destruído cerca de 15 casas nos últimos 10 anos (para localização veja mapa).
Ondas invadem áreas de barracas de praia em Pratagy (para localização veja mapa).
Construções irregulares sobre a face da praia. Observar que estas construções estão posicionadas entre uma pequena área de manguezal e o mar. Praia de Pratagy (para localização veja mapa).
Destruição de parte de um complexo esportivo na Praia de Pratagy (para localização veja mapa).
Destruição de casas na Praia de Suaçui (para localização veja mapa).
Falésias esculpidas em rochas sedimentares da Bacia Sergipe-Alagoas, na Ponta da Gamela (para localização veja mapa).
Orla do município de São José da Coroa Grande-PE. Observar construção diretamente sobre o berma praial (para localização veja mapa).
Praia de Barreiras do Boqueirão nos anos de 2006 (acima) e 2010 (abaixo).

 O clipe acima filmado por Adeylan ilustra a erosão na Praia de Barreiras do Boqueirão

Adeylan Nascimento dos Santos (adeylan.santos@gmail.com) tem Graduação em Geografia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2003) e Mestrado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (2006). Está concluindo o seu doutorado em Geologia também na Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geomorfologia Costeira.

sábado, 6 de março de 2010

The São Francisco Delta

The São Francisco river delta is widely considered as a paradigm of a wave-dominated delta.
Deltaic Depositional Systems (Galloway 1975)

São Francisco Delta Depositional Model (Dominguez 1996 - The São Francisco strandplain: a paradigm for wave-dominated deltas?. Geological Society Special Publication no. 117, p.217-231) (click to enlarge)
 The São Francisco Delta - Landsat-5 Image

During the last decade widespread erosion has affected the delta's shoreline as a result of extensive river damming. Erosion has resulted in the complete destruction of a small village named Cabeço (see pictures below). Last week I had a chance to flyover the river mouth and take some pictures (see clip).


It is interesting to see that although the shoreline is eroding there  is still a lot of sand available at the river mouth (see clip). Sometime in the future waves might move all this sand landward mitigating shoreline erosion.

Photo taken 28/02/2010 during overflight

Photo taken 1994 during overflight (compare with previous photo)

Photo taken 1998 when the Cabeço village was destroyed. The lighthouse is the same shown on clips and overflight photos.

Shoreline erosion is a major concern on all modern dammed rivers. Dams retain riverborne sediments that otherwise would nourish the shoreline.

Sobradinho reservoir (Source: http://www.eosnap.com/)

The Sobradinho reservoir, built on the São Francisco river,  is one of the largest artificial reservoirs in the world, with an area of 4,214 square kilometres (1,627 sq mi). Its  storage capacity is 34.1 billion m3 of water. Note in the satellite  image above the sediment plume trapped in the reservoir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blog Action Day 2009 - Climate Change: Erosão Costeira e Mudanças Climáticas





Nas discussões sobre os impactos do aquecimento global na zona costeira, uma ênfase muito grande é dada à subida do nível do mar, como o principal mecanismo causador de erosão generalizada da linha de costa. 


É preciso  ter um pouco de cuidado com este tipo de generalização, pois esta ênfase exagerada pode desviar nossa atenção de outros aspectos do aquecimento global com implicações tão ou mais importantes para a erosão costeira. 



Me lembro que umas duas décadas atrás o "mantra" continuamente repetido era de que 70% das linhas de costa do mundo estavam experimentando erosão e que a causa principal desta erosão era a subida do nível do mar. Quando fizemos o diagnóstico sobre o comportamento da linha de costa do Estado da Bahia, nossa conclusão foi de que apenas 26 % da linha de costa baiana, que apresenta um comprimento total de  1054 km, apresentava-se em erosão (veja abaixo ou faça o download do artigo completo utilizando este link).







Acho que até hoje não temos uma compreensão adequada para explicar muitos casos de erosão da linha de costa.  Em 1999 durante o Congresso da ABEQUA de Porto Seguro, foi realizada uma excursão de campo até o sul da Bahia. Ficamos hospedados em um hotel em Prado, num trecho da linha de costa que experimentava erosão (foto abaixo):






Agora em 2009 tive a oportunidade de retornar ao mesmo local e a praia esta completamente recuperada (observem a posição da escada nas duas fotos).






No mapa acima,  este trecho de linha de costa foi classificado como exibindo um comportamento erosivo, uma vez que a coleta de dados para a confecção do mesmo foi efetuada no periodo 1999-2003. Conclusão: quando se trata de erosão da linha de costa, é importante definir o intervalo temporal de análise.


As mudanças climáticas, associadas ao aquecimento global,  podem  alterar a freqüência direcional das ondas que atingem a linha de costa, desencadeando episódios de erosão severa da linha de costa. A costa leste do Brasil é particularmente sensível, pois neste trecho se verifica uma inversão sazonal no sentido dominante da deriva litorânea e qualquer mudança, mesmo que pequena, na freqüência direcional das ondas, pode alterar o sentido do transporte resultante final. 


A análise da geometria dos cordões litorâneos nas planícies arenosas da costa leste brasileira, indicam a existência de um episódio de erosão severa, que afetou a região por volta de 1,0-1,2 ka AP. Este periodo coincide, mais ou menos com o “Periodo Medieval Quente”, quando as temperaturas no Hemisfério Norte se encontravam relativamente mais altas, em comparação ao periodo imediatamente subsequente (“Pequena Idade do Gelo”). Este episódio de erosão severa estaria associado com uma inversão no sentido do transporte litorâneo promovido pelas ondas, que neste periodo foi dominantemente para sul. 


O “Periodo Medieval Quente” é frequentemente invocado nas discussões sobre aquecimento global, como uma possível situação análoga ao que estariamos enfrentando nas próximos décadas. A discussão sobre as mudanças climáticas parece estar sobremodo concentrada nos episódios meteorológicos extremos e na subida do nível do mar. Existem processos, entretanto, como o mencionado acima, que atuam de forma talvez mais insidiosa, mas que ao final podem resultar em prejuízos econômicos muitos maiores que aqueles associados ao eventos extremos. 


No Brasil, existe uma rede de pesquisadores interessados em estudar os efeitos das mudanças climáticas nas Zonas Costeiras. É a sub-rede Zonas Costeiras (Coordenada pelo Prof. Dr. Carlos Garcia - FURG) da Rede Clima (MCT) e do INCT para Mudanças Climáticas (CNPq - Coordenado pelo Dr. Carlos Nobre - INPE).